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O novo analfabetismo

Interessante artigo de António Guerreiro no jornal Público.
Citando Vilém Flusser, António Guerreiro afirma que da "nova civilização dos media decorre a ideia de que vivemos uma dupla crise: uma crise do analfabetismo e uma crise do futuro. Neste sentido, analfabeta é precisamente a geração alfabetizada, mas que nunca conseguirá sentir que o seu habitat natural é este mundo das tecno-imagens, caracterizado por mecanismos de programação: programação das próprias imagens e programação dos espectadores e dos produtores destas imagens. Quanto à crise do futuro, ela revela-se, segundo o diagnóstico de Flusser, na nossa incompetência para as operações que os hackers, figuras da pós-história, executam; e revela-se no modo como os novos aparelhos foram inventados para funcionar automaticamente, sem a intervenção humana. Assim, o homem começa a ficar fora do circuito. E a nossa relação com as gerações futuras é marcada pela descontinuidade, por um hiato. E, imersos no “presentismo” e sujeitos à lógica da aceleração, é a própria categoria de futuro que perde a sua antiga validade. A crise do futuro tem a ver com a nossa dificuldade em projectar-nos — em projectar a nossa humanidade — num tempo à nossa frente. Daí que tenham também desaparecido as responsabilidades intergeracionais, uma condição que tem dado azo a que se anunciem lutas entre gerações, em substituição da lutas de classes."
Ler aqui o artigo na íntegra.
    

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