Notas sobre "Avaliação das competências e fluência digitais de professores no Ensino Público, Médio e Fundamental em Portugal"
DIAS-TRINDADE, Sara; MOREIRA, José António (2018). "Avaliação das competências e fluênciadigitais de professores no Ensino Público,Médio e Fundamental em Portugal". Revista Diálogo Educativo, Curitiba, v. 18, n.º 58, jul./set. 2018, p. 624-644.
Desconhecia e gostaria de aprofundar este assunto:
Não é novidade, mas não deixa de ser curioso, porque esta amostra é um retrato fiel da escola pública portuguesa
uma escola que se centra na aprendizagem será aquela que também fará um uso refletido, crítico e ponderado de todos os recursos e de todas as estratégias que a tecnologia digital permiteAcho a passagem abaixo particularmente interessante, porque se relaciona, de certa forma, com uma formação que realizei, intitulada "Ferramentas Web 2.0", que entusiasmou imenso os meus colegas, sobretudo pelo seu potencial motivacional, mas sem que houvesse um discurso crítico sobre o potencial pedagógico, ou seja, de sedimentar aprendizagens.
perfil educativo de base humanista, onde possamos considerar as aprendizagens como centro do processo educativo, a inclusão como exigência e a contribuição para o desenvolvimento sustentável como desafio, já que temos de criar condições de adaptabilidade e de estabilidade, visando valorizar o saber (MARTINS, 2017)
este modelo [TPACK] ... identifica a natureza do conhecimento exigido para a integração da tecnologia no ensino, sem negligenciar a natureza complexa, multifacetada e situada de conhecimento dos professores (KOEHLER; MISHRA, 2009)
por vezes, os professores ficam tão entusiasmados com as hipóteses geradas pelas tecnologias digitais que as usam sem verificar se são ou não pedagogicamente efetivasdistinção entre "digitalmente letrados" ("alguém que [compreende] efetivamente a tecnologia digital, sabendo-a aplicar de forma produtiva no seu trabalho e na sua vida quotidiana...") e "digitalmente fluentes" ("alguém que [sabe] usar determinadas ferramentas tecnológicas")
Desconhecia e gostaria de aprofundar este assunto:
a equipa de trabalho deste departamento ["EU Science Hub, departamento da União Europeia que se dedica à identificação das necessidades dos professores ao nível das competências digitais"] desenvolveu um questionário, que está já disponível online em inglês e que oferece aos docentes a possibilidade de, não só identificar o nível de competência digital em que se encontram, mas também receber informação concreta sobre a formação a realizar para evoluir para um nível superior pois, em função das respostas dadas, são apresentadas sugestões para melhorar as práticas pedagógicas que já desenvolvemPelo que percebi, usam uma escala semelhante à da competência linguística (A1, A2, B1, B2, C1, C2)
Não é novidade, mas não deixa de ser curioso, porque esta amostra é um retrato fiel da escola pública portuguesa
Entre os 127 participantes, 17 são do sexo masculino e 110 são do sexo feminino. Quanto às idades, nenhum participante possui menos de 30 anos de idade, o que revela, de alguma forma, o envelhecimento da classe docente portuguesa, uma vez que apenas 18 docentes têm entre 30 e 39 anos (14,2%), 54 estão entre os 40 e os 49 anos (42,5%), 40 incluem-se na faixa etária dos 50 aos 59 anos (31,5%) e ainda 15 professores com mais de 60 anos de idade (11,8%) [74% situam-se entre os 40 e os 59 anos]Gostaria de saber o que se entende por "competências [...] que promovam comportamentos de ordem superior"
O foco encontra-se, por um lado, num novo modelo de estudante “cujas práticas de trabalho e padrões de atenção parecem ser multifocais, multivocais e tendentes à distração” (SANTAELLA, 2010, p. 304) e, por outro lado, nas novas necessidades dos mercados de trabalho, que hoje buscam nos seus profissionais competências que vão além das fundacionais e que promovam comportamentos de ordem superiorComo?
Seguindo esta corrente de pensamento, as tecnologias digitais podem contribuir para a promoção destas competências, de carácter transversal e multidimensional, pois podemos conseguir complementar as pedagogias e metodologias já existentes com novas estratégias focadas em projetos, pesquisas ou métodos de aprendizagem adaptativos.
É interessante notar que estes resultados são idênticos aos de Wang, Myers e Sundaram (2012), que sugerem a existência de um continuum e não de uma dicotomia rígida entre os designados nativos e imigrantes digitais, e que existem vários fatores, para além da idade ou da própria acessibilidade a ferramentas e conteúdos digitais para explicar a questão da fluência digital.
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